É bem provável que seu Romeu tenha sido o tal ‘último romântico’. Nesta minha época, acredite, estamos nos contentando com bem menos. Os romances não são mais eternos, as pessoas se encontram cada vez mais tarde, todos tentam várias vezes até acertar (ou desistir). Amor da vida? Não aparece. Não é mais olhar nos olhos e sentir arrepiar. Frio na barriga está fora de moda. A gente é que escolhe a partir de vários quesitos e, é claro, da hora certa.
Não. Não gosto disso, Julieta. Moldo minhas histórias ao redor deste padrão, muitas vezes sem que o príncipe saiba que é príncipe, justamente porque ele não saberia ser. Entre contos antigos e contos modernos, já tive o rapaz mais popular e desejado da turma; presenciei briga por mim com direito a sangue (gostaria de poder chamar de duelo); namorei o cara alto de olhos azuis que por mim fazia qualquer coisa; apaixonei-me loucamente pelo melhor amigo depois de anos; amei e fui amada virtualmente; fiz parte de triângulo amoroso no qual ninguém amava a pessoa certa... Tudo desastroso, porém intenso e marcante.
Já ouvi que vivo com expectativas baseadas em filmes e livros. Pode até ser, mas que mal há? Quero romance com belas paisagens de fundo, com trilha sonora, com surpresas, com provas de amor em pequenos e grandes atos; quero admirar essa pessoa e ter prazer em me viciar nela com a segurança de que esteja viciada em mim também. Não precisa dar a vida como seu Romeu, Julieta. Mas se o mundo sem minha companhia não fizer mais sentido para ele, então terei meu próximo conto, minha história de filme e a garantia de uma trilha sonora apropriada. Para sempre? Talvez não.. Mas com começo e meio alucinantemente deliciosos e inesquecíveis.
Amor,
B.
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