quinta-feira, 14 de abril de 2011
Funny
Funny não sabia falar, nunca aprendeu. Primeiro por ter sido uma criança tímida demais para fazer conexões (isso inclui família) e depois por ter começado a escrever. Para ela, uma arte sem comparação. Era tão fabuloso colocar alma num papel, nunca ser interrompida por comentários improfícuos, nunca ter que gritar, nunca ter que pedir atenção. Funny escrevia de punho. E era incomparavelmente boa no que fazia. O que mais poderia querer?
Acontece que nenhum gênio, por mais introspectivo que seja, consegue esconder seu talento. Manuscritos descobertos e Funny passou, de bela menina muda, à conhecida e admirada escritora. Não pense que este fato não atiçaria sua vaidade. Funny era humana, gostava de ser cortejada, de ser diferenciada entre tantas. E era realmente diferente. Mesmo antes de ser notório para tantas pessoas, os bons observadores sabiam que aquele silêncio guardava uma personalidade das mais raras, extremamente encantadora.
Eis que no auge de sua fama, quando tudo parecia conquistado e seguro, quando todos pareciam reverenciar suas ideias, uma outra apareceu. Não era Funny, não era espetacular como Funny, não tinha os argumentos nem a astúcia de Funny, mas ainda assim todos se voltaram para a outra. Não vou nomeá-la, não faria diferença. A outra era simplesmente uma versão aguada, rala, de tudo o que era bom. Funny sabia disso. Mais ainda, sabia muito bem de seu próprio potencial. "Então o que veem nela?", perguntava-se. "Como deixaram de ver em mim?", pensava.
Dias de angústia se passavam e a auto-estima de Funny já não era a mesma. Mas seu poder de observação, seu bom senso, aos poucos voltavam ao normal e, em algum tempo, levaram a ela a explicação tão simples, quase óbvia: 'o Homem se move por novidade'. A outra não era mais bela, não era mais sábia, não possuía talentos tão magníficos quanto os de Funny, mas tinha acabado de chegar. A curiosidade pode causar grandes estragos, mas a incômoda verdade é que poucos resistem a ela.
Grandes tesouros foram perdidos assim.
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OLÁ BEATRIZ.
ResponderExcluirSOU SEU MAIS NOVO SEGUIDOR.
E QUE TEXTO DENSO, EMOTIVO, GRANDIOSO QUE NÃO CABE ABSOLUTO NESTES POUCOS PARÁGRAFOS, POIS DEVERIA SER TEMA DE UM LIVRO SEU.
DIZEM QUE A ESPETACULOSIDADE DA ARTE DA VIDA ESTÁ NO GARNDE FINAL DO CIRQUE SOLEIL, OUTROS ACHAM QUE A VIDA É MARAVILHOSA EM FÉRIAS NO ENCANTADOR E RICO DUBAI, MAS EU AINDA SOU ESCRAVO DE TEXTOS COMO O SEU, QUE ELEVAM E ME FAZEM CONTINUR A CAREDITAR QUE NADA MAIS SUBLIME DO QUE UMA MENTE BRILHANTE, COMO A SUA.
E JÁ FOI ATÉ TÍTULO DE FILME.
ESTOU LHE CONVIDANDO PARA CONHECER MEU BLOG DE HUMOR:
“HUMOR EM TEXTO”.
A CRÔNICA DESTA SEMANA É:
“DADINHA, DADIVOSA”
OH, EXEMPLO DE MULHER! (RS).
É DE HUMOR ...E DE GRAÇA
UM ABRAÇÃO CARIOCA.
SOU E COM MUITA HONRA, PARA MIM, SER SEU PRIMEIRO SEGUIDOR E ESPERO QUE PERDOE-ME EVENTUAIS ERROS DE DIGITAÇÃO, NO MEU COMENTÁRIO.
ResponderExcluirPOR VEZES, A EMOÇÃO DESCONTROLA O RITMO DAS MÃOS, NO TECLADO.
MAIS UM ABRAÇÃO CARIOCA, MINHA CONTERRÂNEA.